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Guilherme, 12 anos, conversa com o pai

Guilherme — Pai, vamos ficar sem poder sair muito mais tempo?

Pai — Não sei, filho, não sei mesmo. Mas acho que mais umas semanas, sim. Ainda há muitos casos e o importante agora é que o menos possível de pessoas apanhem o vírus ao mesmo tempo, para que os hospitais consigam tratar toda a gente. Já estás farto, não é?

Guilherme — Estou e não estou. Queria muito voltar à escola e estar com os meus amigos. Mas também estou a fazer coisas que gosto.

Pai — Jogar playstation...

Guilherme — Sim, mas não só. Estou a falar muito com alguns dos meus amigos.

Pai — Mais do que antes?

Guilherme — Sim, com alguns sim.

Pai — Mas falas agora mais com eles à distância, do que antes?

Guilherme — Com alguns sim.

Pai — E tens razão para isso? É só o facto de teres mais tempo?

Guilherme — Não sei. Acho que sim, mas não só. Com alguns amigos, e principalmente amigas, parece que antes era mais difícil falar. Não havia oportunidade.

Pai — Isso tem piada. Agora que não estão fisicamente juntos, falas mais com alguns amigos e amigas...

Guilherme — Sim, e de alguns até me sinto mais próximo... não sei explicar. Parece que nos começámos a conhecer melhor.

Pai — E sentes que quando a escola começar vão estar todos mais próximos?

Guilherme — Sim, não todos, mas alguns de nós. Não sabia nada da Sandra, por exemplo, agora sei muito mais, e sei que gosta do Francisco. Temos falado muito de muitas coisas, e sei que vamos estar mais próximos quando a escola começar. Mas não é só com ela.

Pai — Pois, sabes que quase todas as situações na vida nos trazem aspetos positivos e negativos. Esta também. Mas não deixa de ser curioso que esta distância te tenha aproximado de algumas pessoas. Será também que essas conversas mais íntimas surgiram por não estares cara a cara com elas?

Guilherme — Sim, já pensei nisso, como sou tímido. Também é isso, sim. Por isso te digo, quero regressar à escola, mas também me sinto bem assim...